O catecismo que há 5 séculos explica o que a Igreja Ortodoxa acredita
Revisado e aprovado pelos Patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém — a mesma fé apostólica, agora em português.
A Confissão Ortodoxa da Igreja Católica Apostólica Oriental é um livro catequético elaborado pelo Metropolita São Pedro Moguila no século XVII, em um período marcado por intensos debates teológicos e por profundas transformações religiosas na Europa Oriental.
Seu surgimento responde à necessidade de apresentar, de forma clara e ordenada, o ensinamento da Igreja Ortodoxa em diálogo com as formulações protestantes e católico-romanas então predominantes. Longe de se limitar à controvérsia, a obra oferece uma exposição sistemática e pastoral da fé ortodoxa, com o objetivo de tornar inteligíveis seus dogmas, práticas e fundamentos teológicos.
Escrita para instruir, esclarecer e organizar o conteúdo da fé, a Confissão busca situar a tradição ortodoxa de maneira precisa no cenário cristão mais amplo.
Para quem é este livro
Quem está conhecendo a Ortodoxia
Quer um retrato fiel da doutrina — sem polêmica e sem atalhos.
Catecúmenos
Um guia estruturado em perguntas e respostas para a preparação sacramental.
Fiéis e estudantes
Aprofunda a fé apostólica com um texto recebido por toda a Igreja.
Confiável, autorizada e recebida por todos os patriarcados
A autoridade desta Confissão não deriva de um autor isolado. O texto foi examinado e aprovado no Concílio de Kiev (1640), posteriormente revisado no Concílio de Iași (1642) e, por fim, submetido ao juízo dos quatro Patriarcados Orientais — Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Concluindo que ela era a confissão de fé "não apenas dos russos, mas... A Confissão Ortodoxa de todos os Gregos".
Após esse processo de avaliação, correção e confirmação, a Confissão foi formalmente recebida como uma exposição fiel e representativa da fé ortodoxa, oferecendo ao leitor não uma interpretação particular, mas o ensinamento que a Igreja reconheceu como conforme à sua doutrina e à sua Tradição. Até mesmo seus maiores críticos e escrutinizadores no século XX alegaram: "a Confissão acabou sendo Ortodoxa de fato, e não apenas no nome." (Karmiris. Op. cit. Σσ., 589).

Oriental e Ocidental
Ao estruturar a Confissão em perguntas e respostas, com definições claras, distinções precisas e vocabulário técnico cuidadosamente escolhido, o Metropolita recorreu ao método catequético então dominante no Ocidente — não por submissão teológica, mas por uma estratégia pastoral e pedagógica. Essa era a linguagem intelectual comum do seu tempo, compreendido tanto por ortodoxos quanto por seus interlocutores protestantes e romanos, e permitia que a fé da Igreja fosse exposta com rigor, clareza e sem ambiguidades.
Assim, Moguila utilizou categorias e termos conhecidos para comunicar conteúdos plenamente ortodoxos, apropriando-se da forma para proteger o conteúdo, e demonstrando que a Tradição da Igreja não teme a precisão conceitual quando esta serve à verdade e à instrução dos fiéis.
A versão final e conciliarmente autorizada
A Confissão foi redigida originalmente em latim por São Pedro Moguila com a colaboração de seus discípulos mais próximos e apresentada ao Concílio de Kiev (1640), onde recebeu correções iniciais. Em seguida, foi submetida ao Concílio de Iași (1642), convocado justamente para examiná-la à luz da fé da Igreja inteira; nesse contexto, o texto passou por uma revisão conduzida principalmente por Melécio Syrigos, atuando como exarca patriarcal.
A versão revista foi então traduzida para o grego, examinada e aprovada formalmente pelos Patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém em 1643, com atos sinodais que atestam sua conformidade dogmática. A presente edição segue essa tradição textual recebida e autorizada pela Igreja, oferecendo ao leitor não um rascunho histórico, mas a forma amadurecida e oficialmente acolhida da Confissão Ortodoxa.
Pressionados por uma maioria protestante e romana um pequeno povo ortodoxo precisa da iluminação catequética da Santa Igreja — esse era o público-alvo de São Pedro Moguila no séc. XVII, muito semelhante ao estado atual da Ortodoxia no Brasil.
O que você vai encontrar no livro
Parte I — Da Fé
Exposição sistemática dos dogmas centrais da fé cristã ortodoxa: a Santíssima Trindade, a criação, a encarnação do Verbo, a obra salvífica de Cristo, a Igreja, os sacramentos, os santos ícones, a veneração dos santos e a autoridade da Tradição e das Escrituras.
Parte II — Da Esperança
Trata da oração, do Pai-Nosso, das bem-aventuranças e da expectativa cristã quanto à ressurreição, ao juízo e à vida futura, articulando a esperança escatológica da Igreja com a vida concreta do fiel.
Parte III — Da Caridade
Aborda a vida moral cristã à luz dos mandamentos de Deus e da Igreja, o amor ao próximo, o arrependimento, a confissão, as boas obras e a vivência prática da fé como resposta concreta à graça divina.
+ 4 Conteúdos Bônus
Esta edição inclui ensaios complementares sobre a teologia de São Pedro Moguila e apêndices doutrinários sobre o Pecado Ancestral e a Transubstanciação — material extra para quem quer ir além do catecismo.
As três virtudes teologais que estruturam a doutrina ortodoxa — agora em português, com leitura imediata.
4 conteúdos bônus incluídos nesta edição
Para uma avaliação da teologia de São Pedro Moguila
Texto analítico que reconstrói o contexto histórico, eclesial e intelectual no qual a Confissão foi produzida, explicando as circunstâncias dramáticas enfrentadas pela Ortodoxia após a queda de Constantinopla e demonstrando por que a obra de Moguila se tornou um marco teológico recebido pela Igreja.
Sobre a influência ocidental na herança teológica de Moguila
Ensaio crítico que examina, com precisão histórica e teológica, as acusações de "latinização" feitas contra Moguila, distinguindo claramente entre empréstimos formais (método, linguagem, estrutura) e fidelidade doutrinária, e mostrando como a Confissão permaneceu plenamente ortodoxa em conteúdo, apesar do uso de categorias compreensíveis no Ocidente.
Apêndice I — O Pecado Ancestral e o conceito de "culpa"
Análise detalhada da diferença entre o ensinamento ortodoxo sobre o pecado ancestral e as formulações ocidentais de culpa herdada, esclarecendo equívocos comuns e demonstrando o que grandes santos e teólogos Ortodoxos afirmaram sobre este ponto sensível da antropologia teológica.
Apêndice II — A Transubstanciação
Esclarecimento doutrinário sobre o uso do termo "transubstanciação" no contexto da tradição ortodoxa, analisando sua origem, seu emprego histórico e o modo como foi compreendido por autores e santos anteriores às controvérsias modernas. O texto explica como esse vocabulário foi utilizado para afirmar a real transformação dos Dons Eucarísticos, sem pressupor a adoção obrigatória de sistemas filosóficos específicos.
Mais de 380 anos de tradição doutrinária — adquira agora e comece a aprofundar-se na fé apostólica ainda hoje.
Esta tradução foi feita pelo Pe. Paísios, líder da Missão Ortodoxa Grega em Salvador-BA, revisada pelos fiéis Lucas Falango e Kelvin Basílio e editorada pelo fiel Gabriel Galdino.
